05/08/09

Boa memória

Estava de saída para o trabalho e o Tiago pergunta qualquer coisa relacionada com a escola que não percebi bem por isso dei uma resposta neutra:

- A escola acabou, hoje não vais para a escola...

- Não. A outra escola...

- Ahh! A outra escola é só quando formos para a casa nova.

- E depois vamos ter um cão?

- Sim :)

- Ão, ão, ão (risos)

Não perdoa. Já está prometido e ele não esquece.

30/07/09

PARABÉNS!!!


São muitos anos (bem mais que este pequeno registo fotográfico) de muita amizade.

Obrigada por seres tão boa madrinha, tia e sobretudo amiga.


29/07/09

American boy

E não é que dei com a Cathy a cantarolar esta canção?

(...)

Take me on a trip, I'd like to go some day.
Take me to New York, I'd love to see LA.
I really want to come kick it with you.
You'll be my American Boy.

He said Hey Sister.
It's really really nice to meet ya.
I just met this 5 foot 7 guys who's just my type.
I like the way he's speaking his confidence is peaking.
Don't like his baggy jeans but I'm a like what's underneath it.
And no I'ain't been to MIA
I heard that Cali never rains and New York heart awaits. First let's see the west end.
I'll show you to my bredrens.
I'm like this American Boy. American Boy

(...)

Estamos bem estamos...

Semana de despedidas

Esta é a semana das despedidas.

Desta vez não é um simples "até já" mas sim um "adeus".

Custa-me deixar as pessoas que trataram tão bem dos meus filhos. É estranho olhar para sítios que já foram tão meus e pensar que em breve não terei nada a ver com aqueles lugares.

Fico com os contactos de quem me marcou mais e a promessa que irei actualizar todas as conquistas e asneiras dos meus filhotes.

No ar fica a esperança que os próximos mereçam de igual forma o meu reconhecimento pelo trabalho e carinho demonstrado.

16/07/09

Conversas de balneário

No balneário com o Tiago, já lhe tinha vestido os calções e ele brincava com a toalha enquanto eu me vestia.

- Mamã, 'tou "fodido"

(aaai! Finjo que nem oiço)

e ele repete e reparo nos olhos de quem está ao meu lado cravados em nós.

- Estás o quê filho?

- 'Tou "fodido"

- Oh Tiago, tens de falar melhor que eu não te percebo. - E começo a rezar aos santinhos

- Olha mamã - tapa-se com a toalha - 'tou "fodido"

- Aaahhh! Estás vestido!

Suspiro de alívio e sorrio para a senhora ao meu lado que também já estava a rir da situação.

10/07/09

Surpresa!!!

Estou ainda abananada.

Telefonei para a escola onde inscrevi a Cathy no JI e ela está em 5º lugar na lista provisória. Estava cheia de medo de não conseguir e afinal vai para o JI que eu queria.

Enquanto esperava pela resposta, senti a mesma emoção que no passado ao ver as listas da colocação na universidade e anos mais tarde as de admissão na escola onde ela está agora. rsss, rsss os anos passam mas as minhas emoções não variam muito.

Fiquei bem mais descansada, detesto lidar com incertezas. Agora é ver no que vai dar.

A surpresa bem maior é que o Tiaguinho está em 15º lugar no JI da nossa nova terrinha. Isso quer dizer que à partida tem lá lugar assegurado.

Já pagámos a matrícula na IPSS da zona e agora não sei mesmo por que escola optar. Sinto que ele é ainda tão pequenino... só faz 3 anos em Setembro...

Alguém sabe se nos JI's da rede pública se dorme a sesta?

05/07/09

Rum, Sodomy & The Lush

Dizem que o fim de semana é para descansar. Sem comentários...

Completamente estafada ao fim do dia o pai ficou a dar o jantar aos piratas e eu pensei em deitar-me para descansar a cabeça.

Depois pensei melhor e pus um dos meus álbuns favoritos a tocar.

Quando acabaram de jantar ainda dançámos ou quatro que nem uns doidos.

Fica um cheirinho.

Momentos

Há momentos que fazem o coração transbordar - alegria, esperança...

Estava a secar a Cathy depois do banho e nem reparei que ela estava a cantarolar.

De repente mexe-me na boca e olha-me nos olhos com uma cara risonha. Sorrio mas não percebo o que ela quer.

Ela continua a mexer-me na boca e cantarola qualquer coisa.

- Queres que a mamã cante? É isso?

Ri-se que nem uma perdida. Sim era isso.

- O que é que queres ouvir?

Muito timidamente ela cantarola o "balão do João" e eu acompanho.

A cara dela deliciada fez-me esquecer que ela e o mano este fim de semana parecem "enxertados em corno de cabra".

24/06/09

E o prémio vai para...

O Prémio "Oh meu Deus!" vai para a conta que acabei de receber da oficina :(

Recebi-a antes do almoço e ainda não a consegui digerir.

Estávamos felizes da vida porque as mensalidades de Julho da escola e natação dos estrumpfes mais novos tinham sido pagas durante o ano e eis que afinal a nossa "poupança" vai à vida.

Uma delícia

Ontem pediram à Cathy para desenhar a cara dela.

Fez uma carinha normal mas estava a faltar alguma coisa. Não lhe foi dito directamente o quê mas antes qualquer coisa do género "Não está a faltar uma coisa que agora tu tens e a mãe também tem?"

E a Cathy desenhou os óculos que já fazem parte da sua identidade.

19/06/09

A saga do óculos - O Milagre

Ora retomando este assunto, na 4ª feira a boa da Cathy usou os óculos até perto das 10 h e mais ninguém a conseguiu convencer a voltar a po-los.

Voltou para casa sem os ditos.

Expliquei-lhe então muito bem o programa das festas: "Catarina, vamos tomar banhoca, depois a mamã vai-te vestir, secar o cabelo e depois vais por os óculos".

Como boa melga que sou, passei o tempo todo a dizer isso e... quando chegou a altura de lhe por os óculos ela nem pestanejou. Passou o resto da noite com eles.

Ontem já os pôs de manhã sem fitas e esteve o dia todo com eles. Na escola nem quiseram acreditar no "milagre".

Escusado será dizer que levou mimos e elogios em quantidades astronómicas e só de ver novamente o sorriso dela sei que valeu a pena.

Que eu tenha sempre força para a contrariar quando a felicidade e bem estar dela está em causa.

17/06/09

A saga do óculos - 1º embate

Foi coisa boa foi...

Chorou que se fartou e com os nervos até vomitou parte do jantar.

A questão é que eu conheço bem a minha filha. A nossa hesitação é a força dela. Custou-me imenso ver a tristeza dela mas é para o seu bem.

Curiosamente, hoje quando se levantou deixou-me por os óculos e até andou um pouco com eles mas a certa altura tirou-os e não queria por mais.

É nestas alturas que temos de pensar muito, pesar todos os prós e contras e tomar uma decisão em segundos. Depois de passar o pequeno-almoço a chorar e eu já estar atrasada para o trabalho tinha duas opções: deixá-la vencer e ir para a escola sem os óculos ou insistir.

É claro que insisti, com o mesmo resultado óculos postos - óculos tirados.

Peguei nas minhas coisas e fui-me embora dizendo que assim ela não ia comigo para a escola. - Sim, amuei - Tentou ir atrás de mim e eu expliquei novamente porque é que não a levava e... acedeu em por os óculos e não os tirou, embora tivesse a cara mais infeliz do mundo.

(Cruzei-me na entrada do prédio com uma vizinha que da maneira como olhou para nós deve ter estranhado ver a minha filha inteira, tal foi a animação da guerra dos óculos)

Deixei-a na escola de óculos e pelo que sei ficou com eles até às 10 h o que deu 1 h 30 min seguida. A partir daí, foi o calvário da educadora e auxiliar logo saberei como correu.

A saga do óculos - Preparativos

Depois de fazermos uma primeira triagem por tudo o que é loja, lá fomos à óptica que nos pareceu ter os óculos mais giros.

Lá já estavam avisados que a Cathy é autista e foram super-simpáticos mas milagres é mesmo na porta ao lado e tivemos que escolher os óculos pela fracção de segundos que se aguentavam na cara dela.

O Tiago também foi e lá andou feliz da vida a correr pela loja e brincar na mesinha das crianças. Até considero que se portou bem embora não tivesse parado um segundo.

Compreendi porque é que me sinto tão cansada quando no fim de tudo, já com o João a por as pestes no carro o rapaz da óptica remata dizendo

"... e ele é hiperactivo não é?"

Imagino a pena imensa que ele estava a sentir de nós e deu-me vontade de rir. - "Não, está só bem disposto" respondi.

12/06/09

Gente Miúda

Já há algum tempo que queria deitar a mão ao catálogo Primavera-Verão 2009 da Gente Miúda.

Hoje passei pela loja deles e não resisti.

Os modelos são lindos, as palavras iniciais também. Aqui ficam:







As palavras finais são também muito pertinentes.



E embora a contribuição seja minúscula, ao comprar a roupa desta colecção estamos a contribuir para a AMA - Associação de amigos do autismo.

Caretas

As mais fofas, as mais tontas, as mais lindas:


11/06/09

Inauguração da época

A alegria da Cathy foi imensa. Descia o areal com um risinho reprimido de quem não estava a acreditar.

Era mesmo a praia? O mar estava já ali?

E foi ve-la a correr, a querer entrar e sair da água sem parar, pouco importava molhar o vestido.

Estava calor mas o vento também era forte. De qualquer maneira, a ida à praia nem tinha sido planeada. Não havia fatos de banho nem toalhas.

Deu para antever o stress que vai ser ir com eles à praia. A menina Cathy só quer correr para a água, haja folego!




E se alguma vez me passar pela cabeça tonta ir sozinha com os dois alguém me dê uma marretada na cabeça porque seria um massacre.

01/06/09

Bola de cristal - Precisa-se

Hora do jantar.

Vêm os dois para a cozinha. O Tiago quer brincar com umas coisas que estão na bancada e eu não deixo. A Cathy vem atrás e tenta também a sua sorte. Ao ver que não lhe é permitido, irrita-se e varre o que está ao seu alcance com a mão.

Com isto caem uns copos que estavam na bancada e ela assustada com o barulho (e o disparate) corre para a sala a choramingar.

Nada se partiu e os copos estavam vazios.

Sentei o Tiago e ela voltou para a cozinha mas não se queria sentar. Só insistia que queria uma coisa na bancada mas para onde apontava a única coisa que me parecia ter interesse para ela era parte de um brinquedo. A hora era para comer, por isso nada de brinquedos mas ela teimava em não ir para a mesa e empurrava-me irritada para lhe dar o que queria.

E o que era afinal? Só depois de muita frustração (de parte a parte) é que ela disse uma simples palavra: guardanapo e fez-se luz.

Ou seja, ela assustou-se ao ver o copo cair mas voltou para limpar a asneira. Expliquei-lhe que o copo estava vazio mas mesmo assim ela quis passar com o guardanapo na bancada e depois sim é que foi para a mesa.

Da minha parte senti-me miserável porque além de ter demorado imenso tempo a perceber o que ela queria, ainda lhe dei uma ou duas palmadas no rabo :(

Detesto bater-lhe mas fico fora de mim quando a Cathy me empurra e dá pontapés. Nada disto acontecia se ela usasse as suas capacidades para comunicar. E afinal ela pediu o guardanapo ou não?

Mais um! (ou menos um melhor dizendo)

O sorriso da Cathy está ainda mais ventilado!

Ontem caiu-lhe o 2º dentinho.

Desta vez ela portou-se que nem uma crescida. Já sabia o que ia acontecer e por isso ficou quietinha e deixou-me ir abanando o dentinho que estava preso por um fio até ele se soltar completamente.

Limitou-se a choramingar com alguma impaciência e não ficou stressada ao ver o sangue.

Quando lhe saquei o dentinho nem ligou mais, deixou-me lavar-lhe a boca e saiu disparada para o nosso quarto para pular em cima da cama, a rir-se.

29/05/09

Óculinhos

Na consulta dos 5 anos, e apenas por rotina, a Cathy foi indicada para a consulta de despiste de estrabismo/ortoptica.

O que com qualquer criança é feito numa consulta de 30 minutos, para a Cathy foi um drama de várias horas espalhado por 4 consultas, com uma colaboração quase nula.

Juro que estive para desistir, uma vez que não havia nada que indicasse um problema de visão mas, não fosse o diabo tece-las... acedi em sujeitá-la a umas gotas nos olhos durante vários dias que lhe causaram um grande desconforto e ontem lá fomos novamente à consulta.

Foi do piorio, teriam sido precisas várias horas para ela se ambientar ao local e à médica. Infelizmente por muita compreensão que elas tenham tido, isso não era viável e o exame teve de ser feito "in the bad way" - à força.

A própria médica questionou a necessidade do exame mas depois de ter passado por tanto não ia levar a Cathy embora.

E infelizmente foi o melhor que fiz. A minha princesa tem hipermetropia. Coisa que nunca tinha ouvido falar mas cuja descrição já está no post abaixo.

Fiquei triste claro que sim. Ela vai de certeza ficar gira de óculos mas que treta, preferia que não fosse preciso, para não falar em mais um drama para ela os usar (lá estou eu a sofrer por antecipação).

Hipermetropia

Hipermetropia

Qui, 10 de Janeiro de 2008 17:31 Denis Henrique Silva
Hipermetropia é o nome dado ao erro de focalização da imagem no olho, fazendo com que a imagem seja formada após a retina. Isso acontece principalmente porque o olho do hipermétrope é um pouco menor do que o normal. Outras causas incluem aquelas situações onde a córnea ou o cristalino geralmente tem alterações no seu formato que diminuem o seu poder refrativo, como a megalocórnea, onde a córnea é mais plana do que deveria ser.

A maioria das crianças apresenta hipermetropia, pois os seus olhos normalmente são menores do que o que deveriam ser. O Hipermétrope geralmente tem boa visão para longe, pois o seu grau, se não for muito elevado, é corrigido pelo aumento do poder dióptrico do cristalino, o que chamamos de acomodação. No entanto, quando vai focalizar a imagem para perto, o cristalino além de corrigir o grau de longe, ainda tem que aumentar mais 3 graus, para focalizar a imagem a 33 centímetros dos olhos, o que faz com que o mesmo ou não consiga focalizar a imagem ou sinta desconforto visual, geralmente referido como cansaço, ou dor de cabeça.

Crianças têm um maior poder de acomodação do que os adultos, e suportam graus muito mais elevados de hipermetropia. O grau do hipermétrope, geralmente diminui com o crescimento do olho, e é comum existirem pessoas que necessitavam de óculos durante a infância, mas que deixaram de usar óculos na idade adulta. A Hipermetropia pode estar associada ao aparecimento de estrabismo acomodativo na infância, com aparecimento geralmente ao redor dos 2 anos de idade.

Na maioria das situações, não é necessário o uso de óculos. Nas situações onde o problema causa desconforto visual ou o paciente não consegue focalizar a imagem, pode-se usar lentes corretoras com dioptria positiva, geralmente com um grau inferior ao que é necessário para fazer a correção completa do problema, já que o hipermétrope tem uma capacidade maior de acomodação. A única exceção é quando a criança apresenta estrabismo, quando deve-se usar a correção total. Esta correção pode ser feita com óculos ou lentes de contato. Outra alternativa restrita a aquelas pessoas maiores de 21 anos, é a cirurgia refrativa realizada com o Excimer Laser, o Lasik.



Sintomas
Fadiga ocular e dores de cabeça. O esforço permanente de acomodação pode ser a causa destas manifestações, mais freqüentes ao fim da tarde e depois do trabalho. Uma fraca hipermetropia passa freqüentemente despercebida até os 35/40 anos, pois o olho "acomoda" para estabelecer uma imagem nítida. Quando na criança a hipermetropia é forte, apercebemo-nos bastante cedo desta deficiência, pois é muitas vezes acompanhada de estrabismo, que deve ser rapidamente corrigido.

Como corrigir?
A hipermetropia corrige-se com uma lente convergente (convexa), que recoloca a imagem sobre a retina.
Alivia-se assim o esforço de acomodação ocular, e evita-se a fadiga e as dores de cabeça. As lentes para hipermétropes são mais espessas no centro do que nos bordos. A diferença de espessura é tanto maior quanto mais forte for a hipermetropia.

Destacam-se como situações causadoras da Hipermetropia:
Eixo axial curto;
Aumento do raio de curvatura (Hipermetropia de curvatura);
Diminuição da curvatura das faces do cristalino (Hipermetropia de curvatura);
Diminuição do índice de refração do cristalino e humor aquoso (Hipermetropia de índice);
Aumento do índice de refração do vítreo (Hipermetropia de índice);
Distância excessiva entre cristalino e córnea;
Falta do cristalino (afacia).

Fonte:
http://www.oftalmojanot.com.br/erros-refrativos/hipermetropia.html

26/05/09

Que fase!

A Cathy anda numa fase péssima. Basta alguma coisa não correr como ela quer que tem uma atitude de frustração horrível que lhe dá para gritar, espernear, empurrar e mesmo virar-se contra nós.

Estou a ficar de rastos com isto, por mais que tente não consigo ser optimista em alturas como esta. Já dura há 2 semanas, com tendência para piorar e eu só penso que ela está a crescer e como vai ser quando tiver mais corpo.

Tenho já presente, por experiências anteriores, que não podemos ceder com ela. Temos de conduzir estas birras com muito carinho mas com muita firmeza porque quanto mais "espaço" ela conquista mais difícil é depois voltar atrás.

Ontem "transformou-se" quando foi a hora do banho. Não queria e não estava disposta a despir-se nem por nada. Estive que tempos na casa de banho até ela se decidir a tirar a roupa. À hora do jantar, queria que lhe desse a sopa à boca e ao meu colo.

Como sei perfeitamente que ela percebe tudo o que lhe dizemos, eu tento sempre explicar os "comos" e os "porquês" mas naquela altura acabei por desistir. Tirei-a do meu colo e disse simplesmente - Eu vou comer. Se não queres comer, não comas.

Foi remédio santo. Mal me viu pegar na colher, começou a comer a sopa e o resto do jantar decorreu sem mais problemas, tal como o resto da noite. A Cathy e o Tiago fartaram-se de brincar os dois tão bem que eu estava parva num canto a ve-los.

Enfim... vamos ver até quando durará esta fase. Tenho consciência que as minhas forças já estão por um fio. É com muita tristeza que constato que há imenso tempo que não me consigo sentar com a Cathy para fazer actividades específicas. Ultimamente nem tento para não ficar pior.

18/05/09

Upa!

Ainda muito a medo, a Cathy já se põe a pé no cavalo.

OK, ainda não é bem por-se de pé porque ela estica as pernas mas fica dobrada (sobre a cintura)a agarrar os apoios das mãos, mas já está quase a ganhar a confiança total.

Como sempre, faço a ponte com a natação. Ela também não nutre grande amor pelo colchão e normalmente só se senta nele. Só há uma ou duas semanas é que ela se pôs em pé nele pela primeira vez, e são só uns segundos. Andar nem pensar.

De repente...

De repente, pára tudo.

Vira-se para mim e diz, "quero dar beijinho"

Derreto-me.

E ele dá e volta ao que estava a fazer.


___

Pergunto-me, como será ele aos 16 anos. Ai, ai ...

A crescer

É engraçado como os dias passam e nós não notamos certas evoluções.

Quando o João comentou comigo que o Tiago está a falar muito melhor é que me dei realmente conta disso.

Já tinha reparado por estes dias que ele está a formular melhor as frases mas não o cheguei a dar por ponto assente, até porque ele continua muito trapalhão rsss, rsss

E nestes últimos tempos algo que me preocupava, o raciocínio e destreza para resolver jogos de encaixe, está a evoluir a olhos vistos. Muito longe da mana para a idade que com 2A8M resolvia puzles de 26 peças num piscar de olhos. Mas aí ela é que estava adiantada.

11/05/09

Aprender as letras

No Sábado fiquei surpreendida com o Tiago.

O material que é usado para as aulas de hidroterapia foi cedido às aulas de natação dos bebés (aqueles vandalos que já me obrigaram a colar o número 7 rsss rsss).

Então este Sábado o meu vandalo mais pequeno tinha na piscina imensas letras a boiar e identificou umas quantas não propriamente pelo nome da letra mas pelo nome que lhe estava associado:

T - Tiago
C - Catarina
D - Dora
F - Fátima
M - "de Maria" digo eu pensando que ele não conhecia - "Não, Marta" corrige-me

06/05/09

Dia da Mãe - 3

Na Segunda-feira foi o dia de passar a tarde na escola do Tiago.

Aderiram muitas mães e foi giro. Houve a habitual disputa do "A mãe é minha" e para fazer pirraça aos outros, ou então para mostrar a felicidade de me ter na escola, fui muito mimada. O Tiago enquanto lanchava enchia-me de mimos, beijos e festinhas (huuum que bom).

Tivemos uma actividade bem disposta com a professora de karaté e depois fomos ouvir uma história sobre o Dia da Mãe.

No final fomos buscar a Cathy à escola dela e o Tiago fez o seu número de menino-super-envergonhado.

Dia da Mãe - 2

O Dia da Mãe propriamente dito foi uma aventura.

Tinha planeado irmos ao Parque das Nações para os macaquinhos andarem no comboio mas além de já termos saído muito tarde de casa apanhámos um trânsito sem explicação.

Demorámos 45 minutos para fazer uma meia dúzia de quilómetros. Já estava desesperada, a Cathy da habitual impaciência estava já a entrar em grande stress e foi um alívio quando chegámos a uma bomba de gasolina.

O nosso 6º sentido dizia que a Cathy queria ir à casa de banho. Ninguém sabia da chave. Ela cada vez chorava mais até que no mesmo instante em que lhe baixei as cuecas ela fez um cocó enorme que até nos fez impressão. Tadita, esteve muito bem aguentou-se sem se sujar, azar para quem foi limpar o chão.

Tenho a impressão que só volto a este posto se não tiver outro remédio. É uma falta de consideração para os utentes não terem uma casa de banho a funcionar.

O pior mesmo foi para a limpar. Ela desorientou-se com a situação toda e parecia um animal selvagem impossível de dominar. A cathy tem já imensa força, cada vez vai ser mais difícil controlar os acessos de fúria dela.

Depois disto, preparei-me para o total descalabro do dia mas felizmente que não correu mais nada mal.

De regresso à estrada, o trânsito fluia como se nada tivesse acontecido antes, tratava-se de um Domingo calmíssimo. O IC19 tem destes mistérios...

Mas já estávamos mesmo atrasados. Tivemos apenas tempo de almoçar junto a um dos vulcões no Parque das Nações (que eles adoraram) e fomos para a Dotylândia, aos anos da Raquel.

Foi muito giro, fartaram-se de brincar, correr, saltar. Até o Tiaguito meia-leca andava no meio dos outros todos. O parque era para maiores de 4 anos mas a idade a ele não barra nenhuma entrada e conseguiu subir ao nível mais alto do brinquedo.

Quem dera a mim que no meu tempo houvesse diversões daquelas.

O dia terminou com boa disposição mas ainda assim com a cabeça em água.

Dia da Mãe - 1

A escolinha do Tiago e da Cathy chamou as mães para comemorar o Dia da Mãe na escola.

Quinta-feira foi a vez da Cathy e as coisas não correram muito bem. A actividade passou-lhe ao lado e eu descobri que afinal ainda não estou vacinada contra os olhares inquiridores de quem nos rodeia. Antes preferia que falassem comigo (as outras mães) e expressassem as dúvidas sobre o comportamento da Cathy do que fingirem que não estão a ver, mas nitidamente estarem a pensar no assunto.

Recebi ainda a inesperada notícia de que a educadora tinha pedido demissão e que na Segunda-feira entraria uma nova educadora ao serviço. Passei portanto o fim de semana a pensar no que isto iria dar.

27/04/09

Um sentimento que não me larga

No Domingo o João saiu e eu fiquei com os dois em casa. Achei que estavam numa “boa onda”, muni-me de aspirador e esfregona e toca de fazer as limpezas.

Portaram-se muito bem, as poucas vezes que o Tiago implicou com a Cathy eu sanei facilmente os ânimos.

A verdade é que a tarde correu muito bem mas cheguei à noite com um sentimento que não sei descrever. Muito embora ache sinceramente que dei a mesma atenção a ambos e os repreendi de igual forma quando tentavam passarinhar pelo chão lavado, sinto que a Cathy ficou a perder. Isto porque mesmo sem me atrapalhar o Tiago que descobriu uma caixa cheia de balões ia regularmente ter comigo para trocar o balão na bomba de encher e voltava para a sala.

A Cathy por seu turno esteve sempre na sala a brincar com a casinha e apetrechos, mais a alinhar do que a dar-lhes o devido uso. A certa altura dei-lhe também o túnel para brincar na sala. Ela adorou e ainda se entretiveram os dois atrás um do outro na correria.

Posto assim, não consigo perceber porque me sinto tão em dívida para com ela. Acho que me sinto culpada por ter uma relação tão fácil com o Tiago* de diálogo e brincadeira e não o conseguir com a minha menina que amo tanto mas que por mais que tente parece que não a consigo alcançar.

Posso estar-me a sentir pior porque ontem lembrou-se de pastelar ao jantar e pela primeira vez não a deixei sair da mesa enquanto não acabasse de comer. Como a teimosia dela não tem limites, não comeu mesmo e quando chegou a hora de dormir, foi da mesa para a cama, sem direito a brincadeira.
_____

* O Tiago está tão giro. É desesperante quando entra em birra mas quando está bem é uma alegria contagiante. Absorve-me, delicia-me e deixa-me totalmente rendida a ele.

Ontem lembrou-se de fazer umas boquinhas e olhares engraçados ao espelho. Parti-me a rir porque ficava mesmo giro e então ele passou o resto da tarde/noite a faze-las.

21/04/09

Carregar em botões

A nossa vida é feita de pequenos nadas.

Hoje depois de fazer xi-xi a Cathy puxou o autoclismo. Foi a 1ª vez. Até já podia ter tentado antes mas "faltava-lhe a força" e desistia. Hoje não conseguiu à primeira tentativa e carregou com os dois indicadores. Sucesso! Não se manifestou mas sei que ficou feliz, eu claro que fiz-lhe uma grande festa.

A "falta de força" dela para carregar em teclas, botões e afins sempre me intrigou. Ela tem imensa força, ainda no outro dia beliscou-me sem querer e doeu bem mas depois parece ter uma inaptidão para fazer coisas tão simples do dia-a-dia. Havia um pianinho da Chicco que eu pensava como é que era possível ter sido feito para crianças uma vez que a Cathy não tinha força para carregar nas teclas. Só mais tarde percebi que todos os bebés conseguiam tocar nele...

Mas isso era dantes. Nos últimos tempos aprendeu a apertar e desapertar tampas de rosca e hoje até deu corda à sua caixinha de música.

Safa-te!

Hoje fui levar o Tiago à escola e a auxiliar começa a contar as asneiras do dia anterior. Fez logo uma cara de comprometido.

Como o rol não parava, o sacaninha lembrou-se que eu tinha de ir embora e foi abrir a porta da sala "sai mãe...".

Beijinho, beijinho, vai-te lá embora que não estou a gostar do rumo da conversa.

Janelinha


20/04/09

A duas

Muito se passa durante as sestas do Tiago :D

Ontem peguei na Cathy e fomos ao Shopping antes da hipoterapia.

Estava com algum receio, uma vez que ela já tinha visto o toque, que não aceitasse parar primeiro no Shopping, mas portou-se muito bem só avariou um pouco quando viu um daqueles carrinhos da Olá à mão de semear e queria ficar com ele. Tive de a comprar com as batatas fritas do meu Big Mac.

Passeámos um pouco, deixou-me experimentar umas havaianas :D e foi comigo à Worten. Na espera para a caixa é que foi um pouco mais difícil de controlar.

A aula de hipoterapia correu muito bem. Fiquei com alguns ciúmes do cavalo que leva abraços e festinhas a torto e a direito e para mim não há nada. Já anda a trote e fica louca de felicidade. Já consegue também dar a volta completa em cima do cavalo e anda de costas sem barafustar.

Nervos

A menina Cathy anda com os nervos muito apurados. À mínima contrariedade começa a gritar e a esbracejar. Não se magoa mas faz o gesto de puxar os cabelos, fazendo-me lembrar fãs histéricas dos Beatles.

Este fim de semana fez muitas vezes essas cenas, sobretudo por causa do irmão. Mas mesmo que a razão lhe assista, não podemos deixar que ela nos controle dessa forma ou não tarda muito o Tiago pensa que se desatar aos pontapés também tem o que quer.

Passei portanto grande parte do fim de semana a ralhar aos dois um para não provocar e o outro para se controlar.

14/04/09

Dentição

Confesso que ainda não me tinha documentado bem sobre a queda dos dentes de leite.

Fui agora rever as cábulas que compilei para seguir o nascimento dos dentinhos dos meus príncipes e vi que normalmente só lá pelos 6/7 anos (em média) é que eles caem.

Assim sendo, a Cathy anda a estragar a média, mas o dente que caiu foi o expectável: o incisivo central inferior.

É também por essa idade que nasce o 1º molar que ao que parece é um "dentão". Espero que esse não se arme em parvo e queira vir antes do tempo.

12/04/09

Cá estamos de férias na santa terrinha.

Adoramos cá estar, não é nossa mas já foi adoptada há alguns anos.

E foi nesta Sexta-feira Santa que aconteceu um marco.

O 1º dentinho da Cathy caiu. Fiquei estupefacta, com um entusiasmo e emoção difíceis de descrever.

A minha bebé já tem dentinhos de leite a cair.

Fica a promessa de uma foto aqui.

O jantar chama-me, quem diz que não há stresses nas terrinhas?

Vai um pouco tarde mas... Boa Páscoa para todos os que por aqui passam.

02/04/09

Hoje é o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo.

Nem de propósito, tive de ir a uma consulta com a Cathy onde esperámos quase 3 horas para ser atendidas. E não foi mais porque acabei por pedir para passar à frente.

É um direito mas não é coisa que goste de fazer. Estava já no meu limite de exaustão. A Cathy é impaciente mas não se costuma portar tão mal e a certa altura só queria mesmo era ir embora.

Disse a uma ou duas pessoas que se tentavam meter com ela que ela é autista, mas na verdade mais vale mesmo é dizer que não fala e pronto porque isso as pessoas compreendem logo.

A pièce de resistance foi quando uma velhota me perguntou se só tinha aquela filha. Ao saber que tinha mais um menino sussurrou "coitada".

Às vezes estranho mesmo a minha calma. Depois de uns segundos a "encaixar" a coitada perguntei com a voz mais suave que consegui "Coitada porquê? Os meus filhos são o melhor que tenho na vida, sou muito feliz por os ter." Ela lá se desculpou e rematou com a típica frase "Ela tem uma carinha tão linda..."

Calculo que se fosse feia era mais fácil de aceitar. Se calhar até fazia sentido.

É a 3ª vez que lá vou e ainda não consegui que fizesse os exames todos. Voltaremos mais uma vez, com o recado de irmos directos à Drª para ver se a Cathy está mais disponível para colaborar.


Realço que das 3 vezes que lá estivemos fomos sempre muito bem atendidas mas desta vez a espera foi demais. Deveria ter levado um brinquedo para a distrair, faço aqui o mea culpa. Não imaginava que fosse assim. Só consegui que a Cathy entrasse no consultório porque minutos antes uma alma caridosa* foi ao piso de baixo buscar umas peças de lego.
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* A filha dela (agora com uns 14 anos) só começou a andar aos 3 anos e a falar aos 4 e meio. Usava PEC's para comunicar. Não lhe notei nada que indicasse qualquer problemática. A senhora foi um doce.

30/03/09

Um Domingo diferente

Ontem foi um dia engraçado.

Aproveitei a sesta do Tiago (e do pai) para ir dar uma voltinha com a Cathy.

Há um parque novo perto de casa e achei que ela ia gostar. Quando reparou que o rumo do carro era estranho, ligou a sirene e não queria sair do carro nem por nada. Como as minhas promessas que ia gostar não estavam a resultar tive de fazer voz grossa e lá foi ela de beicinho.

Mas o beicinho só durou 1 minuto até ela ver o brinquedo que lá estava e ficou feliz da vida.

A Cathy está muito destemida, já consegue andar nas passadeiras movediças e aventura-se muito mais. Para algumas coisas ainda quer sentir que estamos por perto, mas sozinha também seria capaz de o fazer.

Depois do parque, eu tinha de ir a casa de uma amiga que também tem um filho autista. Caminho novo, nova sirene. Rejeita à partida o que não conhece. Mas talvez porque também lá mora um autista, embora bem mais velho, ela sentiu grande afinidade pelos brinquedos e ficou uma meia hora entretida com tanta novidade.

Depois do lanche tínhamos uma amiga nova para conhecer. Enfrentámos tamanha ventania no parque que o encontro teve de ser num espaço mais abrigado.

A Catarina gostou muito do brinquedo que lhe deram (foi o último em que mexeu antes de ir para a cama). O Tiago gostou sobretudo da Raquel ;)

Enfim. Cheguei a casa de rastos mas foi um dia muito bem passado.

Relações fraternas

As relações fraternas nem sempre são fáceis e têm de ser bem geridas pelos pais, que mesmo inadvertidamente podem ser os responsáveis pelo relacionamento difícil entre irmãos.

Eu tento ser neutra. A Cathy não tem de ser tratada de forma diferente por ser autista (ela sabe distinguir bem o certo e o errado) e o Tiago não tem que acarretar o peso de ter uma irmã autista.

Para já, acho que o relacionamento deles é muito bom. O Tiago chateia mais quando a mana está a fazer uma actividade com alguma sequência: destrói, rouba uma peça, etc. e ela retalia, como deve ser pois claro. Ralho com ele porque está a ser mau e a ela lembro-lhe que não pode bater.

A parte que eu gosto de ver (como ontem) é que a Cathy não sai de um sítio se o irmão continuar lá. Tem de o levar com ela. Ontem ela estava num Shopping e queria ir para o outro piso. Assim que eu disse para irmos para as escadas foi buscar o mano quase de arrastão :D

Gostei destes textos:

Relações fraternas de irmãos de pessoas com deficiência - Parte I

Relações fraternas de irmãos de pessoas com deficiência - Parte II

24/03/09

Desencaixou-se - Parte 2

Dormiu bem até cerca da 1 da manhã e acordou com dores.

Foi então para a nossa cama, ora dormia ora chorava e eu estive quase para o levar às urgências mas o João lá me convenceu a deixá-lo dormir.

Ele lá adormeceu, eu nem por isso. Já mais de manhãzinha ele mexeu os deditos da mão dorida e eu fiquei feliz, mas continuava a não largar o braço dorido e se lhe apertava um pouco a mão voltava a chorar com dores.

Voltámos às urgências. À 2ª feira o cenário é bem pior, com um tempo de espera horroroso. Ficámos piores que estragados porque tendo lá estado ontem, não havia justificação para termos de passar novamente pela triagem. Enfim... foi uma espera de cerca de 3 horas, com o Tiago ao colo e sem me poder mexer porque ele uivava ao mínimo movimento.

Quando finalmente chegámos ao médico da urgência de pediatria, o nosso menino mostrou o seu melhor. Berrou com tanta força que fomos escoltados directamente para o ortopedista.

Entrei no consultório, expliquei a situação e o Dr. com muita calma diz-me que o que o Tiago tem é sono.

Whati?

- Tenha calma Mãe. Vá lá para fora e volte daqui a 10 minutos.

Assim fiz e voltei passados 10 minutos, novamente com o Tiago a chorar porque eu me estava a mexer.

- Vá lá Tiago - diz o médico - mostra-me o braço
- NÃO!!! LARGA-ME!

Com insistência ele foi-lhe pedindo que agarrasse um objecto e o Tiago recusava-se sempre até que "esqueceu-se" e mexeu o braço.

- Está a ver Mãe? Ele está é farto de hospital. Leve-o para casa e deixe-o descansar...

...

Imaginam a minha cara de cú?

É que bastou sair do gabinete do ortopedista para o menino Tiago voltar a andar pelo pé dele e a falar normalmente.

Assim que chegou a casa começou a correr feito doido, dali a minutos caiu, meteu as mãos no chão e levantou-se logo a seguir.

Se por algum motivo o contrariávamos, protegia novamente a mão que tinha magoado e fazia uma cara muito condoída.

À noite ainda recuperou o lenço que a madrinha tinha sugerido e andou com o braço ao peito.

Temos actor!