19/06/08

Deus escolhe a mãe da criança deficiente

Este texto já me foi passado há algum tempo. Andava mais em baixo e deu-me força. Nestes últimos dias voltou à baila e como me faz sentir bem, publico-o agora aqui. Sempre me fica mais à mão e assim partilho-o para quem dele precisar.

A maior parte das mulheres hoje em dia tornam-se mães por acidentes, outras por escolhas próprias, outras por pressão social e outras tantas por hábito.

Esse ano, quase 100 mil mulheres se tornarão mães de crianças deficientes.

Você, alguma vez, já pensou como as mães dos deficientes são escolhidas? Eu já. Uma vez visualizei Deus pairando sobre a Terra, seleccionando o seu instrumento de propagação com
um grande carinho e compassivamente. Enquanto ele observava, instruía seus anjos a tomarem nota em um grande livro.

Para Beth Armstrong, um menino, anjo da guarda Mateus.

Para Marjorie Foster, uma menina, anjo da guarda Cecília.

Para Carrie Rudlegde, gêmeos, anjo da guarda, mande o Gerard, ele está acostumado com a profanidade.

Finalmente ele passa um nome para um anjo, sorri e diz:

Dê a ela uma criança deficiente.

O anjo, cheio de curiosidade pergunta:

Porquê a ela senhor? Ela é tão alegre...

Exactamente por isso. Como eu poderia dar uma criança deficiente para uma mãe que não soubesse o valor de um sorriso? Seria cruel.

Mas será que ela terá paciência?

Eu não quero que ela tenha muita paciência porque aí ela, com certeza, se afogará no mar da auto-piedade e desespero. Logo que o choque e o ressentimento passar, ela saberá como se conduzir.

Eu a estava observando hoje. Ela tem aquele forte sentimento de independência. Ela terá que ensinar a criança a viver no seu mundo e não vai ser fácil. E além do mais, Senhor, eu acho que ela nem acredita na sua existência.

Deus sorri.

Não tem importância. Eu posso dar um jeito nisso. Ela é perfeita. Ela possui o egoísmo no ponto certo.

O anjo engasgou

Egoísmo?
E isso é, por acaso, uma virtude?

Deus acenou um sim e acrescentou:

Se ela não conseguir se separar da criança de vez em quando, ela não sobreviverá. Sim, essa é uma das mulheres que eu abençoarei com uma criança menos perfeita. Ela ainda não faz idéia, mas ela será também muito invejada. Sabe, ela nunca irá admitir uma palavra não dita, ela nunca irá considerar um passo adiante uma coisa comum. Quando sua criança disser "mamã" pela primeira vez, ela pressentirá que está presenciando um milagre. Quando ela descrever uma árvore ou um pôr-do-sol para seu filho cego, ela verá como poucos já conseguiram ver a minha obra.

Eu a permitirei ver claramente coisas como ignorância, crueldade, preconceito e a ajudarei a superar tudo. Ela nunca estará sozinha. Eu estarei ao seu lado cada minuto de sua vida, porque ela está trabalhando junto comigo.

Bom, e quem o senhor está pensando em mandar como anjo da guarda?

Deus sorriu.

Dê a ela um espelho, é o suficiente.


Erma Bombeck
Tradução: Eugenia Maria

16/06/08

Que nervos

Não consigo compreender a hesitação de alguns profissionais em aceitar que eu quero que a Cathy tenha mais intervenção nas diferentes áreas.

Além do apoio educativo e da TO, considero que agora está na altura de iniciar a terapia da fala.

Para tal, pedi à TF do hospital que iniciasse o processo para pedir o subsídio à segurança social.

Sei muito bem que logo à partida ela não o queria fazer. Falou com a TO da Cathy ao telefone e sei muito bem que o que a TO lhe disse foi que a TF não era o mais importante neste momento, mas não o desaconselhou.

A conversa das duas ao telefone foi longa, e eu a ouvir consegui perceber o rumo que as coisas estavam a tomar. Só dizia para mim própria "calma, ouve primeiro o que ela te vai dizer e depois argumenta calmamente, mas não te cales que é a tua vez de falares".

Assim foi. Desligou o telefone e diz-me "está a ver mãe, é por isso que eu queria falar com a TO, ela não acha que a TF seja o melhor para agora".

Controlei-me mas despejei tudo cá para fora. Mas como é? 3 h somadas de intervenção semanal são suficientes? Está-me a dizer isso a mim que sou mãe? Que sei que ela tem tanto para aprender e quer aprender! E no fim, alguém se vai virar para mim e dizer que não investi o suficiente!
Ouve a opinião da TO (que não é bem assim porque não desaconselhou) e os pais, não têm palavra?

Tentou demover-me com uma reavaliação em Janeiro. Só podia ser piada, com um processo a iniciar-se em Janeiro, ficava tudo adiado para o próximo ano lectivo.

Fui peremptória, já que nao tinha nada a perder e afirmei que eu ia contratar uma TF achassem bem ou mal. O subsídio era um direito que eu tinha, é para isso que desconto, mas se não quiser dar andamento ao processo, paciência, ponto final.

Enfim... ela ouviu e calou, devo te-la vencido por exaustão porque duvido que a tenha convencido que não pode tratar assim os pais e os casos que não conhece mas avalia tão superficialmente.

Agora dizem-me que afinal nem precisava de ter lá ido, havia mais gente que poderia ter dado início a este processo. Pronto, deixa estar, pelo menos pude dizer umas quantas coisas e assim para um próximo embate (que vão haver mais concerteza) já estou mais confiante.

15/06/08

Noites más

Este fds foi muito mal dormido. De 6ª para Sábado, a Cathy acordou umas quantas vezes com xi-xis na fralda. Como se sentia incomodada tinha de a trocar.

De Sábado para Domingo, eram 2 da manhã e eu ainda não tinha pregado olho. Ora era a tosse, ora outra fralda suja a chatear. Antes de voltar a por a fralda deixei-a imenso tempo na sanita, com medo que dali a 1 h voltasse a fazer xi-xi. Perguntava-lhe se queria xi-xi e não me respondia. Talvez fosse já do meu cansaço mas estava tão frustrada, tão triste que achei que ela me ia dizer não quando se fartasse de ali estar. Não disse e eu tive de a tirar a rezar a todos os santinhos que me deixasse dormir, e já agora que acordasse um pouco mais tarde.

Dormiu até às 7h... Meti-a na nossa cama para não acordar o Tiago e pouco barulho que a mamã quer dormir.

Pois sim, para quem não fala fartou-se de fazer barulho, a palrar. Catarina ... Tiago... Papá... Catarina (então? pensei para os meus botões. E mamã não dizes?" Tiago... Papá... Mamã (ah bom... pensei que era cocó...)

E continuou a dizer letras soltas. Nem quis acreditar quando as comecei a juntar, ela soletrou mesmo o nome dela e o do Tiago. Foi fantástico, mas eu estava com tanto sono que só resmunguei qualquer coisa como, são 7.30h e esta miúda está para aqui a soletrar aos meus ouvidos. Chateada ainda ao lembrar-me que às duas da manhã não foi capaz de dizer um simples NÃO.

11/06/08

Momentos

Na segunda feira fui buscar a Cathy à escola. Estavam todos no pátio, subi para ir buscar a mochila. Espreitei pela janela, vi-a sentada no chão do pátio, sozinha e fiquei triste.

Desci as escadas com o coração a chorar e quando avistei o pátio, estavam dois meninos de volta dela, a tentar abraçá-la, ela fugia divertida e eles corriam atrás e agarravam-na. Fiquei feliz e agradeci a Deus por ter posto aqueles dois meninos a querer brincar com a minha menina.

Bacio

Ainda muito a brincar, por vezes sento o Tiago no bacio.

Já conseguimos dois xi-xis :D

Vão ser mais umas férias de luta. Estou a arranjar coragem para tirar a fralda de dia ao Tiago e à noite à Cathy. Já descansamos tão pouco...

Pestes

Ultimamente tenho pensado se os pais que dizem que os filhos são uns reguilas, sabem mesmo o que é ter um filho reguila.

Estou a falar com uma prima minha e ela diz que o filhote (1 mês mais velho que o Tiago) está uma peste. Eu olho para o cenário, vejo-o no passeio, quieto a segurar o dedo do pai. LOL onde está a peste? Não consigo imaginar uma única situação em que o Tiago conseguisse estar assim. Ele tem de estar sempre a correr de um lado para o outro, e nos momentos em que consigo que ele esteja mais calminho, sou eu que lhe seguro a mão com firmeza porque a qualquer momento ele pode sair disparado.

Talvez por ter estado uma semana em casa doentinho, ele parece-me um furacão e a teimosia dele atinge níveis desesperantes. Só o consigo tirar da banheira, segurando-o pelos braços com o auxílio da toalha para não me escorregar,com ele a revirar-se e contorcer-se todo. Sai sempre do banho todo vermelho, parece que o maltrato :( e isto não é de vez em quando. É sempre. Mal ele percebe que o banho acabou, deita-se na banheira e olha para mim com aquele ar "tira-me daqui se conseguires".

Umas vezes tenho de conseguir o que quero à força, outras deixo-me invadir pela calma (aí quem fica deseperado é o pai "fazes tudo o que ele quer, blá, blá, blá...") e fico a ver até onde ele vai, porque sei que por vezes ele próprio acaba por desistir da brincadeira/disparate até porque se eu não lhe ligar a coisa perde a graça.

O ideal seria conseguir praticar mais vezes a segunda opção mas a paciência tem limites e não abunda para estes lados.

Ela vai aprendendo e surpreendendo

Íamos a entrar em casa quando a Cathy recua uns passitos, aponta para uma porta e começa a soletrar G…A… passa a mão por cima do S, não se estava a lembrar do nome da letra e eu, efusiva, digo S! Lê-se GÁS amor.

Por vezes, de repente ela começa a soletrar lindamente (sem ter o suporte visual) as palavras KANDOO e DODOT.

Já conhece perfeitamente os números de 1 a 10 e ainda arrisca dizer mais alguns até ao 20. Se lhe pedir para contar um conjunto, ela já sabe o que é para fazer.

Ontem surpreendeu-me. A tal falta de tempo tem-me impedido de treinar o PECS como era suposto. Ontem tentei a minha sorte. A fase em que estamos é para ela identificar o que ouve, com o símbolo Eu ouço. Está a ser difícil, ela parece não ter interesse nesta actividade e ou não me liga nenhuma, ou tenta brincar com o brinquedo que uso para ter o som de um cão a ladrar.

Já há duas semanas que não voltava a esta fase do PECS, que na verdade só fez 2 ou 3 vezes. A surpresa foi que, logo na primeira tentativa, ela construiu a frase certa Eu ouço + cão e disse-a. Pensei que se ia confundir e dizer eu quero, mas disse ouço. Lembrou-se passado tanto tempo que era isso que lá estava escrito!
Enfim, foi vez única porque nas tentativas seguintes ela levantava-se e ia para outro sítio. Eu ia atrás, sentar-me ao lado dela e passados 2 segundos a D. Cathy voltava a ir para o lugar onde estava antes, querendo claramente dizer que não estava interessada nesta actividade. Desisti, claro...

Está com uma ecolália fantástica. Será mau se ainda a tiver daqui a alguns anos, mas neste momento é uma delícia ouvi-la repetir o que dizemos e até palrar espontaneamente coisas que não compreendemos.

Muito meiga a minha menina, continua a brindar-me com um olhar de felicidade tão grande que me sinto a mulher mais feliz do Mundo a empurrar-lhe o baloiço no parque "Estica, encolhe, estica, encolhe..." diz mais do que faz, mas já vai dando o jeitinho :)

04/06/08

Carapaças

Quando a Cathy foi diagnosticada, pareceu-me que o Mundo tinha desabado.

Lidar com o autismo é um processo gradual de aceitação, para arregaçar as mangas e trabalhar, lutar, com muito amor e acreditando sempre nos nossos meninos.

Pouco depois do diagnóstico, fomos convidados a entrar num Grupo de Pais, e ouvindo-os falar parecia-me que era tudo fácil para eles. Lembro-me por exemplo de ir à baila o facto de um menino na altura com 5 anos não falar, e a mãe dize-lo com um sorriso, como se não fosse nada de mais. A Cathy tinha então quase 3 anos e só de pensar que aos 5 ainda não iria falar eu desesperava.

Conhecendo-os melhor, comecei a descobrir que na verdade grande parte é fachada (no bom sentido, atenção). O autismo cria em quem lida com ele uma carapaça, quanto mais espessa melhor, para não nos irmos abaixo tão facilmente (pelo menos em público) e dar assim esperança a outros pais porque não estamos face a face com nenhuma desgraça. É autismo.

Eu também já a tenho, tenho de ter ou então desato a chorar por tudo e por nada, feita parvinha. Por vezes está mais fina (como ontem) mas com uma noite menos mal dormida (é o melhor que se arranja) hoje sinto-me novamente bem.

A minha carapaça permite-me abstrair do resto do Mundo, ignorá-lo completamente se for necessário para me concentrar apenas na Cathy. Permite-me olhar para ela e pensar em tudo o que ela é capaz de fazer, em vez de me concentrar no que ainda não faz. Dá-me a atitude positiva que preciso para acreditar que ela é capaz de isto e muito mais e ela alimenta-se desta confiança.

Exterminação total?

Uma onda de destruição terá passado por aqui?

Caiu tudo para o lado, nem o carro do Noddy escapou!

Deve ter sido algo muito, muito mau (medo!)

03/06/08

Em baixo

Estou com sono, com a cabeça cansada de tanto pensar e fazer conjecturas.

A casa está cheia de papéis empilhados para eu organizar. Quando?

O Tiago está doentito. E eu tive de ir trabalhar.

Não tenho trabalhado com a Cathy.

Estou sem paciência para ninguém e sem vontade de falar.

Apetece-me gritar e espernear mas não ia servir de nada. Ou ia... talvez me dessem uma baixa por esgotamento.

Há dias assim...

02/06/08

O nosso Dia da Criança

Ontem no âmbito do Dia da Criança fui ao Museu Nacional do Azulejo, onde a APPDA estava a organizar um evento.

Fui só com a Cathy. Custou-me deixar o Tiaguito mas o que foi um bom momento a duas, iria ser uma cavalgada com os três.

Assim, consegui que a Cathy pintasse um azulejo, sem se ralar com os conselhos que a monitora lhe estava a dar, para passar o pincel suavemente rss.

Depois, fomos ouvir a banda da APPDA tocar. Dei graças a Deus por ter os cabelos compridos, e assim conseguir esconder as lágrimas que não consegui segurar quando o vocalista da banda começa a cantar. Só me lembro de uma parte do refrão “Acredita que sou capaz”, tenho de conseguir a letra toda porque faz todo o sentido.

No fim pedi autorização para a Cathy mexer nos ferrinhos, ela adorou. Talvez em Setembro comece na Musicoterapia, este foi sempre um meio privilegiado para comunicarmos com ela, desde bebezinha que se queríamos que olhasse para nós bastava cantar.

Comprei umas coisinhas lindas que os alunos da APPDA fazem nos ateliers da associação e fomos para casa felizes as duas.

À tarde o programa já foi a três, fomos ao parque com a bela táctica de ir antes do lanche e assim o Tiago saiu de lá feliz da vida com a promessa de papa LOL normalmente sai a espernear.

Ai papá, papá. Põe-te lá bom para vires curtir o bom tempo e os teus filhotes.

Carente

Com o pai doente, a Cathy ficou carente.

Notou-se tão bem!

Na noite que o pai ficou fora ela custou a adormecer, e os gritinhos do Tiago a adormecer na cama ao lado que no máximo lhe despertam normalmente gargalhadas, desta vez fizeram-na sentar na cama e chorar.

Nos dias seguintes, já com o pai em casa mas sem a poder pegar ao colo viu-se bem que andava estranha. Na 6ª feira fiquei tristíssima porque na escola fez 2 xi-xis nas cuecas, coisa nada normal. Desconfio que tenha sido também por isto.

No sábado parecia um gatinho a roçar-se em nós. Estive imenso tempo com ela enroscada a mim. Soube-me tão bem! Pegava nos meus braços para os colocar à volta do pescocinho dela e encostava a boca à minha bochecha, como se a quisesse usar como chucha.

Quando queria o papá, tinha de a pegar eu ao colo e assim o pai podia abraçá-la.

No Domingo já estava mais consolada, mas ainda vai ter de ter paciência porque tão depressa o pai não a pode pegar ao colo.

30/05/08

Diálogos

O meu Johny foi operado a uma hérnia e passou uma noite no hospital.

O diálogo com o Tiago foi um pouco repetitivo:

- (O) Papá?
- O papá está dói-dói

(repete 10 vezes)

- (O) Papá?
- O papá não está! - tento eu arrematar a conversa

- Nã tá... (diz ele abrindo os braços)

passados 2 segundos:

- (O) Papá?

Ohhh não, outra vez!

LOL

28/05/08

O Birras

E está decidido.

Numa acção destinada a pais de crianças autistas falou-se muito de como contrariar determinados comportamentos inadequados.

Ao falarem das birras, na nossa mente não foi a Cathy que apareceu mas sim o Tiaguinho LOL

A Cathy também tem os seus momentos, mas derivam sobretudo da sua incapacidade de compreender a situação, ou transmitir o que quer.

O Tiago é o nosso Birras. E não adiantam paninhos quentes, colinho, cantar (o segredo para resolver os problemas da mana) ou fazer o pino. Ontem experimentei e o resultado parece-me consistente. É deixá-lo mandar-se para o chão, a chorar e a espernear. Eu fico por perto porque não aguento o drama "Ma-mãããã..." vezes sem fim. Mas não lhe dou a atenção que quer e se resistir o tempo suficiente, de repente ele levanta-se, muda de assunto e está novamente bem disposto.

Preciso de ti

Estava na cozinha a preparar o jantar, e aparece o Tiaguinho com um brinquedo. Senta-se no chão ao pé de mim e lá fica. Nem pede para brincar com ele como costuma fazer, a bater no chão e a dizer "aqui, aqui" indicando para me sentar ao lado dele. No momento a minha presença bastava-lhe para estar tranquilo.

Fiquei feliz por ver que a minha presença lhe dá segurança e logo a seguir não pude evitar alguma nostalgia. A Cathy nunca fez tal coisa. Mesmo sabendo que ela gosta de nós, gosta de ter miminhos, sente ciúmes e reinvidica (à sua maneira) a atenção a que tem direito, nunca me mostrou de uma forma tão simples e clara como o Tiago fez que precisa de mim.

Parece que o estou a ver, a entrar na cozinha, com o microondas que tanto fascinou a mana quando era ainda mais nova que o Tiago é agora.

Como é que um menino com tanta genica, capaz das birras mais feias me dá uma tranquilidade tão grande, só de olhar para ele?

23/05/08

Farta

O que agora vou escrever pode ser absurdo mas é o que eu tenho sentido. Por isso, vou dize-lo aqui, já que é onde posso gritar.

Quem me dera não ter de trabalhar para sustentar a minha família.

Queria ter tempo, muito tempo para ter a minha casinha organizada.

Para ter o jantar feito às 20 h e assim podermos sempre jantar os 4 em família, em vez de ter de jantar depois de os por na cama.

Para conseguir 40 minutos diários, para além de toda a brincadeira, para estar só com a Cathy a fazer PECS e outros trabalhos que a ajudam a estabelecer a comunicação.

Para ter algum tempo só para mim, para me sentir calma e segura e não perder o Norte tão facilmente.


É pedir muito que me saia o Euromilhões?

21/05/08

Aérea

Andas aérea e eu gostava de saber porquê.

Sei que tens fases e que são só isso mesmo, fases que passam, como passou a fase em que não passavas sozinha de uma divisão para outra se o chão fosse diferente. A fase em que mal chegavas a casa tinhas de ir ouvir o DVD das Músicas da Carochinha também passou e tantas outras…

Agora voltaste a querer por ordem em tudo. A olhar os objectos por ângulos estramhos, a alinhar os brinquedos, a fazer desenhos fantásticos com eles no chão, mas nada disso é funcional e só serve para te alheares de nós. E como é que explicamos ao mano que ficas fula da vida quando ele te rouba um brinquedo tão bem colocado na posição em que o deixaste?

No entanto, andas feliz. Não pareces estar angustiada e não consigo ver nada, em casa ou na escola, que justifique a ansiedade/nervosismo/agitação que tens demonstrado nas últimas semanas.

Eu fico triste por saber que precisavas que eu passasse mais tempo contigo, sem o “ruído” do mano que tanto nos absorve.

13/05/08

Músicas de roda

Ontem quando fui buscar a Cathy à escola ela estava no pátio.

Enquanto descia as escadas vi uma auxiliar a chamá-la para entrar na roda que iam fazer. Foi toda satisfeita e deu as mãos aos amiguinhos. Não mimou a música mas olhava divertida, com aqueles olhos cheios de brilho que me dizem que a minha menina é muito feliz.

Fiquei assim num dos patamares da escada, meio escondida a ver a Cathy na roda. Quando desci mais um pouco, ela viu-me e numa explosão de alegria veio ter comigo a correr.

11/05/08

Bom dia

Embora saiba que é péssima política deixar os filhos dormir na nossa cama, por vezes é bem recompensado.

Acordei com o Tiago a mexer-se e continuei imóvel, com os olhos fechados. Ele revirou-se umas quantas vezes, trepou para cima de mim, disse "Bom dia!" e deu-me um beijinho.

Tive vontade de o afogar em beijos :D

08/05/08

Procura-se cabeça nova

(No carro)

Estava mesmo a abrir a boca para dizer "A mamã está cheia de fome" mas fechei-a antes de sair a 1ª palavra.

É que estava sozinha no carro, tinha acabado de deixar a Cathy na escola...

Já faltou mais...

Para o caderninho do Tiago vir escrito a vermelho.

Ontem ficou possesso porque me viu sair de manhã para levar a mana à escola. Entrou numa birra que o Pai já nem o estava a ver bem.

À hora do almoço fez uma bela figura a atirar o prato ao chão e a querer bater em tudo o que mexesse. Ficou de castigo, claro está. E atirou-se para o chão naquela atitude dramática a gritar "NÃO" e a abanar as mãos que até dá vontade de rir, não fosse a gravidade da situação porque são birras muito feias de quem precisa urgentemente de aprender os limites.

De noite esteve calminho mas hoje de manhã, já atrasada e com um cócó para mudar tirou-me mais uma vez do sério porque parecia que lhe estava a partir uma perna.

Que raça de miúdo...

Enfim, nas vacinas portou-se à altura, só chorou o tempo da pica e mais um minutinho. Depois, claro, ficou carente e fartou-se de chorar quando o deixei na escolinha. Aí já me custou imenso porque é uma birra diferente de quem queria a protecção e o calor da mamã e se eu queria continuar ao pé dele :(.

06/05/08

Na capoeira

A Cathy já andava curiosa. No Domingo foi a oportunidade. O vizinho dos meus pais convidou-a a saltar o muro e ir ver a capoeira.

Ela foi um pouco a medo, ao colo dele, e logo mostrou vontade de voltar para mim, com medo que eu fugisse. Mas ficou ainda com mais vontade de voltar lá e o vizinho pegou novamente nela.

Desta vez foi para o chão e mal a porta se abriu avançou sem medos. A capoeira estava mesmo no limite da minha visão, só ouvia as galinhas a cacarejar, patos a grasnar, asas a bater, a Cathy aos gritinhos e o vizinho atrapalhado "não te sentes no chão, está sujo!". A Cathy corria de um lado para o outro feliz da vida, coitadas das galinhas LOL

Ela adorou, não teve medo nenhum. O João não estava lá na altura (ou nem a tinha deixado ir para a capoeira) e ficou apreensivo "as galinhas podiam bicá-la". Pensa o mesmo quando ela brinca com as cadelas dos meus pais, tem medo que a aleijem. Eu sei que na excitação elas podem arranhá-la, mas considero que a felicidade e a vontade da Cathy se relacionar com os animais muito mais vantajosa, por isso o risco vale a pena.

Dizer que ainda há bem pouco tempo, ela não lhes ligava nenhuma...

02/05/08

Aérea

A Cathy anda um bocado aérea... mais do que eu gostaria.

Embora esteja calma, está mais fechada. Encontrou a porcaria de uns legos e não faz outra coisa senão ordená-los assim e assado, detesto isso porque nestas alturas não liga a ninguém.

Não tenho explicação, aparentemente nada de diferente se passa em casa ou na escola.

No entanto, vai tentando dizer mais palavras, e tem alturas em que pega de forma bastante perceptível nos versos das canções que propositadamente deixo a meio.

Ah!!! E conta até dez :D

Quem me dera ter mais tempo para estar a sós com ela.

Perdido de amores

- Tiago, que cor é esta? (aponto para um sapo)
- Nô-nô!!!

LOL. Fui confirmar e é mesmo, a cor da Nô-nô na escola é verde.

De vez em quando do nada pergunta-me por ela. Já me tinham dito que eles têm um fraquinho um pelo outro, embora estejam sempre à batada. É giro de ver.

E vamos dizer sem modéstia que têm ambos muito bom gosto porque são os dois lindos de morrer.

23/04/08

Tudo a dormir!

Mais uma para nos deliciarmos :)



A Cathy deitou e tapou os bonecos que estavam a enfeitar a caminha dela. Destaque para o Pocoyo, o preferido, que tem honras de estar na cabeceira da cama, tapadinho com o edredon.

No fim ainda se deitou ao lado do Pocoyo.

Tudo isto é muito, muito importante e ficamos felicíssimos sempre que a Cathy faz coisas destas :D

22/04/08

Bom dia!!!


Sabe bem acordar assim...

A pepa

Hoje estava a vestir a Cathy e sem querer enfiei o meu dedo no olhinho dela. Não a magoei muito mas doeu-lhe, claro. Esfregou o olho e reparei que ela queria alguma coisa. Estava a dar-lhe miminho e ela diz qualquer coisa, mas só percebia o “Eu quero”. O quê amor? Não percebo. Ela fartou-se de repetir, mas não estava nada ansiosa nem chateada por eu não perceber. Pela minha cabeça passavam 1001 coisas que ela podia querer, até que finalmente eu percebi: “Eu quero pepa”.

Era a Pepa dela, a chupeta que só usa para dormir e neste caso para se consolar um bocadinho já que a tinha magoado e ela tinha acabado de a arrumar em baixo da almofada.

É tão bom entender o que a Cathy quer, ainda que continue com a sensação que ela fala para o ar e não propriamente connosco. Mas a verdade é que desta vez ela falou por iniciativa dela porque queria que eu lhe desse uma coisa.

02/04/08

Mesmo doente...

O Tiaguito está doente :(
Mas ainda assim, consegue fazer-nos rir. Mal a febre começa a descer um pouco fica igual a si próprio. Estava a comer uma bolacha e às tantas vai de mãos vazias pedir mais ao avô só que o avô já não tinha mais para lhe dar. Quando o Tiago se apercebe, não se chateia muito, tira para aí meia bolacha que tinha enfiado à pressa na boca e come-a calmamente.


Claro que nós lhe chamamos à atenção para o disparate e não conseguimos evitar o sorriso e ele compreende e passeia-se todo vaidoso a sorrir para nós. Ainda mais engraçado estava porque tinha o babygrow só pelas pernas com as mangas atadas à cintura e o body por baixo para a febre descer mais depressa.

01/04/08

Eu quero bolacha

Ontem decorria a sessão com a terapeuta da APPDA. Tirando alguma ligeira irritação quando era contrariada, a Cathy estava muito bem disposta mas não lhe apetecia dizer nada. Nem o nome do Pocoyo disse quando viu excitada que uma das actividades envolvia o boneco que tanto gosta.

Como de costume, a sessão acaba com um pouco de PECS, e ontem inaugurou uma nova etapa em que teria de escolher o que queria, juntar ao boneco "eu quero" e dar a barra com a frase completa "eu quero bolacha". Comeu muitos pedaços sem uma palavra, e eu até desabafei que ela era teimosa porque bolacha ela sabe dizer.

Às tantas começou a ficar muito excitada e a dizer Bo Bo muito alto. Pouco depois, para minha surpresa, ela disse eu quero bolacha, ao mesmo tempo que apontava para as palavras impressas no cartão. Claro que não disse correctamente, mas disse, e repetiu inúmeras vezes até as bolachas acabarem e nessa altura também não se atrapalhou porque foi buscar o símbolo do bolo e passou a dizer eu quero bolo.

Ontem foi um dia difícil para mim, andei com o fantasma da regressão a pairar. Esta conquista da Cathy fez-me mandá-lo dar uma grande volta. O Tiago está óptimo e a Cathy revela que não desiste e nós vamos lutar com ela para que todos a possam entender.

No fim voltou a ver o Pocoyo e disse logo satisfeita o nome dele.

17/03/08

4 Anos


Parabéns Filha Linda!

Fizeste ontem 4 anos e estavas linda e feliz. Este ano já abriste as tuas prendinhas com curiosidade de ver o que estava para lá do papel. Só isso foi para mim a melhor prenda que me podias dar. O mais engraçado ainda foi ver o teu cuidado em dar-me o papel rasgado para não ir para o chão :)

Este foi o ano Pocoyo, o teu bolito e algumas prendas eram do Pocoyo que tão bem reconheces e encheste-me o coração a dizer "Poco-i-a".

Fizeste também uma coisa giríssima que foi levantar a roupa e por uma colher de plástico debaixo do teu braço a fingir que era um termómetro. Até parecia que adivinhaste que a mamã estava doentinha.
Amo-te filhota!

12/03/08

Uma nova semana

Ontem lá fui apreensiva para a hidroterapia que correu... lindamente :D

Não sei se foi do "tratamento" que recebeu na 5ª feira, ou se simplesmente ontem lhe apeteceu colaborar.

Escusado será dizer que fiquei felicíssima e voltei para casa leve, leve. Quando as coisas correm bem, é mais fácil ser optimista.

A educadora diz que na salinha ninguém faz casas tão bem como ela, até dá vontade de rir mas é fácil explicar, a Cathy mete muito empenho em tudo o que faz, e se ela quer fazer uma casa, ela quer que fique bem feita, com chaminé, cortinas na janela, maçaneta na porta, campainha e agora também um caminho que nos leva à porta.

No desenho da cara humana, ela também já vai colaborando e não nos deixa esquecer as sobrancelhas que tanto gosta e sabe dizer.

07/03/08

Hidroterapia

A Cathy está a atravessar uma fase má. Descontrola-se facilmente e nem conseguimos compreender o porquê, arranja birras com coisas do dia a dia que já não são novidade para ela e se à distância conseguimos relevar, quando estamos no meio delas só apetece chorar de desespero.

Foi assim na passada 5ª feira quando ela não quis sair da piscina, se recusou a calçar os chinelos e ficou que tempos enrolada à toalha até a conseguir convencer a vestir-se. Tentei à força, não deu (por pouco não rasguei as cuecas) e graças a Deus a única pessoa que interviu mais activamente tinha mesmo o intuito de ajudar, acabou por dizer para ter calma. E eu tive, fiquei com ela enrolada a uma toalha, a cantar no balneário e lá foi acalmando.

Na 3ª feira foi o pai, só precisei ver a cara dele para ver que correu igual ou pior e hoje calha-me novamente a mim. Estou receosa, mas já sei com o que posso contar, por isso vou com calma. Quando a Cathy está descontrolada, não adianta ralhar ou fazer à bruta. Às vezes até podemos levar a nossa avante, mas fica-nos um sabor tão amargo que a menos que seja para não perder o avião, não vale a pena.

...

Entretanto não consegui publicar este texto e a piscina já foi. Começou logo mal, porque se recusou a despir no balneário. Insisti, ela não queria, depois começou a mostrar que queria ir para o corredor que dá acesso à piscina e eu deixei-a ir... até certo ponto e expliquei que dali para a frente, só podia ir sem roupa, com o fato de banho. Claro que não posso saber se foram as minhas palavras, mas depois lá me deixou despi-la e aceitou ir para o colo da mãe de um coleguinha enquanto eu me preparava.

Na água as coisas correram mal porque decidi-me a contrariar a tendência das últimas semanas de a Cathy só fazer o que lhe apetece. Estas sessões são para ser agradáveis para ela, mas não são pura brincadeira, têm alguns objectivos concretos aos quais ela tem estado a fugir. Para mim e para a terapeuta foi difícil porque ela se fartou de chorar, para quem estava de fora também foi aflitivo, ficaram todos a conhecer-nos.

Críticas à parte, mesmo com uma pequena rejeição inicial ao que lhe pedia, a Cathy portou-se bem no balneário, saiu muito bem disposta e assim ficou o resto da noite. Enquanto que nas últimas vezes fez o que queria e mesmo assim ficava birrenta. Quem sabe ela não está a pedir alguma regra/rotina?

A minha esperança, é que mesmo que tenha mais duas ou três sessões assim, ela acabe por perceber o que se espera dela na piscina, e a partir daí tudo corra melhor. Não sei é se estou correcta, vou aconselhar-me e logo vejo se devo voltar a trás.

26/02/08

Tiago

Meu filhote lindo, não consigo evitar um orgulho enorme em ti, porque és lindo, porque és esperto e porque a tua alegria faz com que todos à tua volta se rendam ao teu encanto.

Em casa responsabilizam-me por te mimar de mais, mas chego à escola e estás sempre enrolado com uma auxiliar que não tem problemas em dizer que não conseguem resistir-te.

Mas és muito teimoso e por vezes precisas de valentes ralhetes, porque não podes fazer só o que te apetece e não, não podes levantar a mão aos crescidos, tens de controlar esses teus “repentes”.

Na 6ª feira, eu e o papá estávamos infinitamente felizes, a ver-te brincar com a mana às escondidas. Vocês os dois riam à gargalhada e nós sentiamo-nos os pais mais felizes do Mundo.

Já imitas muitos animais e dizes os nomes também. Sabes dizer “Não” mas ainda estás com pouca sorte porque às vezes tem mesmo de ser Sim. E claro, queres sempre fazer o que a mana está a fazer.

Já tens quase 18 meses, mas continuas a ser o meu bebé e é tão bom saber que vês em mim o teu refúgio, porto seguro.

Desenhos

A Cathy detestava ter que desenhar. Até gostava de nos ver a nós fazer desenhos, escrever, etc., mas recusava-se ela a faze-lo e era um braço de ferro porque nós tentávamos que ela agarrase a caneta e ela insistia que nós é que tínhamos de desenhar. De tal modo que tive de esconder o quadro mágico porque senão era enervante ter que ficar naquele desenha-apaga vezes sem conta.

Agora não. De há uns meses para cá, ela começou a ter gosto pelo desenho e agora ve-la feliz é com a caneta e o papel.

Tenho de digitalizar alguns trabalhos. O que mais gostámos foi o desenho de uma casa e uma árvore. Fez sozinha, o pai só deu o mote.

O gosto pela simetria/geometria ou arrumação é visível nos desenhos dela que começa por dividir a página em vários quadrados mais pequenos (com traços contínuos no horizontal e na vertical) e depois trata cada um desses quadrados de forma individual.

Como é tão perfeccionista, coloca muito afinco no que lhe dá prazer e consegue escrever com grande precisão o seu nome, por cima das letras impressas. Este controlo do traço surpreendeu-me muito porque a meu ver foi adquirido muito depressa.

O grande objectivo, é chegar à fala através da escrita e não me parece nada do outro mundo. Como me costumam dizer, a Cathy é “muito visual”. No modelo PECS que estamos novamente a usar, quando ela pede bolacha, aponta sobretudo para a palavra e não tanto para o objecto em causa.

04/02/08

Acreditar

E mesmo doente, a Cathy mostra uma vontade enorme de começar a falar.

Estava a dar-lhe o miminho que precisava na 5ª feira quando chegou o pai com o mano. Estávamos a comentar como tinha corrido o dia, e não me apercebi logo. A verdade é que a Cathy apontou para mim e disse mamã, depois para ela e disse Catarina. Já estava a apontar para o Tiago e a dizer o nome dele quando nos calamos nós, estupefactos. Depois apontou para o João e ficou calada porque estávamos todos a olhar para ela (risos). Acabou por dizer papá.

E noto, tantas vezes que ela quer falar, mesmo que não seja para conversar é já um começo.

Já me disseram que ela está a “catalogar” as coisas. Pediram-me para digitalizar os objectos de um livro que ela já sabe dizer o nome, e deu-me um trabalhão porque já são muitos.

A esperança é cada vez maior. Acredito na minha filha, ela vai falar. Só tem que querer.

Mais um Carnaval atribulado

É tradição, já vamos estando habituados...

A Cathy ficou doente, tal como no Carnaval do ano passado, e de há 2 anos :(. Uma virosezita de nada, esperamos nós, que a impediram de ir mascarada para a escola com o lindo vestido de bailarina que o pai tinha comprado.

Ainda tentei vesti-la, só pela graça, mas qual quê... Ela não deixou, berrou e esperneou e eu não consegui. Bem que lhe dizia “é um vestido, é só um vestido”, mas ela via que não era um vestido nada normal, cheio de folhos e negou-se completamente.

Quer isto dizer que, ainda que não estivesse doente, também não iria mascarada para a escola. Enfim...

O Tiago foi mascarado de Duende. Estava um fofo, mas não consegui tirar-lhe uma foto. Estava confiante que podia tirar à tarde, mas ele reservou-nos uma surpresa. É tão guloso que come espinhas e tudo :( Tadito, a culpa não foi dele. Ficou muito aflito, e igualmente ficaram as “amigas crescidas” que correram com ele ao Centro de Saúde e depois para o hospital.

Quando cheguei ao pé dele, estava todo sarapintado na cara. Ele tem a pele muito branquinha, quando se enerva fica cheio de pintas vermelhas. Nunca o tinha visto tão pintalgado. Deve ter berrado pouco. Assim que me viu, desatou a chorar como quem diz “Porque é que demoraste tanto mamã?” e pouco depois, adormeceu no meu ombro.

Não conseguiram encontrar a espinha. Com tanto vómito, já devia ter saído, mas a impressão na garganta ficou-lhe até à noitinha. Ainda se fartou de vomitar em casa. Felizmente, jantou bem e dormiu que nem um anjinho. No Sábado já não era nada com ele.

17/01/08

Festinha

Ontem também o João (e eu) ficou todo babado, porque ensinou a Cathy a fazer festinhas.

Por diversas vezes durante a noite, pedimos para ela fazer e ela dáva-nos esse miminho.

O Tiago também achou piada, mas só encostava a mão, a Cathy fazia mesmo o movimento para cima e para baixo.

É o chamado "faz de conta" não é?

Ontem a Cathy fez uma coisa que nos encheu de alegria.

O João foi dar com ela a brincar com a casinha que lhe oferecemos. Mais precisamente com a bancada de cozinha. Então o que ela estava a fazer era a por um bonequinho de pé na bancada e a fingir que ele saltava para o chão. Na outra mão tinha outro boneco que abraçava o primeiro quando ele chegava ao chão.

Eu fiquei a ver aquilo e nem quis acreditar. Esta é a brincadeira que o João faz com ela depois do jantar. Mete-a na bancada e ela salta para o chão. Com a ajuda do pai, claro que a abraça.

Escusado será dizer que a levámos logo para a cozinha ;) é que ela tinha acabado de jantar e por acaso essa brincadeira ainda não tinha sido feita.

03/01/08

A passagem de ano

E há alguma coisa perfeita?

Claro que não. Mas mesmo com algus precalços a passagem de ano foi boa. É bom saber que temos amigos, é também bom saber que temos uma identidade.

O Tiago e a Cathy ficaram muito bem entregues aos avós e, longe de algum dia nos cobrarem a ausência, vão de certeza agradecer que saibamos viver a vida, sem prejudicar ninguém.

Felizmente tenho este bom apoio, mas mesmo assim custou-me imenso. E depois de falar ao telefone com a minha mãe que me relatava o paraíso lá em casa (com o Tiago a dormir a noite inteira) comentava com o João que o que ainda me ia custar mais era chegar a casa e no mesmo instante o Tiago desatar aos berros.

Assim foi. Mal me viu, não desgrudou mais e por mais que eu tentasse não me deixava segurar a Cathy por um minuto para a amassar com beijos e abraços.

E bem que ela estava a precisar, porque ao fim de 3 dias, ela já estava a ficar impaciente, chegámos mesmo na hora certa disseram os meus pais, porque ela já estava a denunciar a nossa falta. (e foi com satisfação que o notámos)

Depois de 30 minutos em casa, a nossa cabeça já estava em água. Bem-vindos à realidade LOL. O Tiago teve também a sua maneira de dizer que estivemos fora tempo demais. A única coisa boa foi que ele dormiu a noite toda (hoje isso já não aconteceu) mas foi um caso sério para o deixar na escola de manhã. Gato escaldado...